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A Minha Tia e Eu
Teatro Politeama | Abr.2005

Filipe La Féria levou comédia negra ao palco do Politeama. "A Minha Tia e Eu", do canadiano Morris Panych, ficou em cena durante dois meses.

O jovem bancário Kemp (José Pedro Vasconcelos) decide abandonar o emprego e responder ao apelo da sua velha e moribunda tia Grace (Fernanda Borsatti) para que a visite uma última vez. Atravessa o país e faz mais de 300 quilómetros para encontrar a familiar que não vê há 23 anos. Instala-se na casa dela enquanto aguarda a hora da sua morte. Mas a espera de alguns dias alonga-se durante ano e meio.

Nesse período, sobrinho e tia tornam-se cada vez mais próximos e ganham afinidade, conduzindo o espectador numa reflexão sobre a solidão e a morte, temas centrais da peça A Minha Tia e Eu, em cena no Teatro Politeama (Lisboa). É uma comédia negra da autoria de Morris Panych, estreada no Festival de Edimburgo, que conta com a direcção artística de Filipe La Féria.

"Eu vi a peça no West End [Londres] e decidi encená-la para estrear no Olympia, mas como as negociações se atrasaram, optei por pô-la em cena no Politeama", conta La Féria ao DN, acrescentando que o que mais o seduziu na peça do dramaturgo canadiano foi "a originalidade da narrativa" e o "o facto de tratar temas sérios com humor". Trata-se de um registo mais intimista do que My Fair Lady ou Rainha do Ferro Velho, os seus trabalhos mais recentes, que marca o regresso de La Féria ao tipo de espectáculos que encenou na Casa da Comédia, nos anos 80.

Na peça, caracterizada por cenas curtas seguidas de um black out, é o trabalho de actor que, a par da música de Thery Dawis, promove toda a acção. La Féria convidou para o papel de uma tia presente, mas quase sempre em silêncio, Fernanda Borsatti, uma veterana do teatro nacional. "Achei que ela era ideal para fazer uma personagem subtil e com uma dimensão tragicómica".

E para o papel de um sobrinho hiperactivo, que esconde atrás da loucura o peso da solidão, convidou José Pedro Vasconcelos, conhecido do grande público pela co-apresentação da Quinta das Celebridades, mas com vários anos de experiência teatral, em companhias como O Bando. No entanto, afirma o actor ao DN, esta participação é o seu "passo de gigante em termos de representação".

As duas personagens movimentavam-se num cenário constituído pelo pequeno quarto de uma velha senhora, enquadrado num bloco de cimento fundido, em que apenas as luzes das janelas do prédio degradado denunciam a presença de outras pessoas. Kemp, que ao longo da peça faz várias tentativas frustradas para apressar a morte da tia, inquieta-se particularmente com a vizinha da frente que está sempre a espreitar à janela. O final é surpreendente.

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